Sexta, 07 de Dezembro de 2012 - 23h20
Morte de membro do PCC foi estopim para ataques
Maxwell William Domingos, de 22 anos, era apontado como um dos grandes traficantes do Jardim Jandaia, zona Norte de Ribeirão Preto
Foto: Mariana Martins / Especial
Supostos amigos de membro do PCC teriam atirado em prédio do 5º Distrito Policial
Duas pessoas morreram durante a noite em que houve ataques aos ônibus e também ao 5º Distrito Policial. Uma das mortes deu início à onda de violência.
Tudo começou por volta das 20 horas, quando Maxwell William Domingos, 22 anos, foi morto com três tiros, no Jardim Jandaia. Segundo o boletim de ocorrência, uma motocicleta e uma Blazer de cor preta, teriam passado e efetuado disparos. Ele morreu na hora.
O crime causou comoção entre os moradores do bairro que aplaudiram a retirada do corpo do local. Maxwell, que tem passagens por furtos e tráfico, era conhecido como grande traficante do bairro e suposto integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que domina os presídios paulistas.
"Ele era do PCC e foi executado. Os amigos ficaram revoltados e colocaram fogo nos ônibus", diz uma moradora que prefere não ser identificada.
Maxwell ficou conhecido em 2010, quando foi preso suspeito de liderar um esquema de furtos de pelo menos 300 motos.
Maxwell ficou conhecido em 2010, quando foi preso suspeito de liderar um esquema de furtos de pelo menos 300 motos.
A Polícia Militar suspeita que Lucas Henrique da Silva Sousa, que morreu durante uma perseguição policial e o garupa dele, um garoto de 15 anos, estavam envolvidos no incêndio de um dos veículos. "Eles não pararam na abordagem da Polícia e no meio deles havia um galão. Depois do acidente envolvendo os dois, nenhum ataque mais foi feito", diz o capitão José Antônio Golini, comandante do policiamento da zona Norte.
Segundo ele, os dois adolescentes eram conhecidos nos meios policiais e já haviam sido levados aos Distritos Policiais suspeitos de envolvimento com furtos de motocicletas.
Preocupação
No 5º DP, alvo de tiros na noite desta quinta-feira (6), a segurança foi reforçada durante todo o dia. Policiais chegaram a informar que novos ataques eram esperados.
Família
A família de Lucas Henrique da Silva Sousa diz que o adolescente saiu de casa com o amigo, sem comunicar aos avós o seu destino.
"Meu neto saiu de casa com um amigo de moto e parece que fugiu da polícia, bateu a moto e morreu na hora", diz João Batista da Silva, avô do adolescente.
Segundo ele, Lucas era educado e não era violento.
"Ele era um ‘carneiro’, mas eu desconfiava que ele tinha começado a usar drogas", conta o avô.
Silva explica que o menino ficou desnorteado depois que perdeu a mãe, há sete meses, vítima de uma doença no sangue.
"O pai dele morreu quando ele era pequeno e, depois que ele perdeu a mãe, ficou sem chão", conta o avô.
Lucas tem um irmão que está preso por tráfico de drogas.
Sem envolvimento
Durante a entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (7), o delegado da Polícia Civil, Haroldo Chaud, disse que não vê indícios de ligação do jovem Lucas Henrique da Silva Sousa e o garupa da motocicleta, um menor de 15 anos, com o suposto ataque aos ônibus ou mesmo com o tráfico de drogas.
O menor, que continua hospitalizado, já teria prestado depoimento e confirmado a versão da família. "A informação que temos é de que eles fugiram porque não tinham CNH e temeram a abordagem".
A documentação da motocicleta estava correta. Também não haveria provas concretas de que galões de combustível estivessem com eles.
Na ficha criminal de Lucas não constavam passagens pela polícia. Eles também não seriam conhecidos no mundo dos crimes.

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